Understanding Primate Diversity – Compreendendo a diversidade primata

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VII Ciclo de palestras – Manejo e conservação de Fauna

O começo é o fim é o começo….

[¹]

Somente uma Teoria?

Existe certa confusão do real significado de teoria na maioria das pessoas. Vamos ver se com esse post eu consigo esclarecer para a maioria que ler o que para os cientistas é Teoria realmente.

Teoria do ponto de vista científico :

” um conjunto ou sistema de ideias ou afirmações apresentado como explicação ou justificativa de um grupo de fenômenos; hipótese que foi confirmada ou estabelecida por observação ou experimentação e é proposta ou aceita  como explicação para os fatos.”

Existe também uma segunda acepção de Teoria:

“Hipótese proposta como explicação; por conseguinte, mera hipótese, especulação, conjectura ou idéia; opinião individual.” [2]

Os criacionistas gostam de usar a 2º acepção para o significado de Teoria, talvez por malícia ou por sinceridade, o problema real aqui é apenas de termos. A 2º acepção de teoria deveria ser chamada Hipótese. Esta se tornará uma Teoria quando adquirir uma maior quantidade de evidências.

Mas muitos podem dizer além disso que a Teoria da evolução nunca foi provada. Provar, é um termo relativo. Sob um olhar rigoroso, poucas coisas podem ser provadas. Até mesmo a afirmação de que o sol é maior que uma bola de futebol, não pode, sob certos critérios, ser provada do mesmo modo que o Teorema de Pitágoras. Certamente você não irá passar sua vida procurando por algum triângulo retângulo que desobedeça a formula de Pitágoras, pois seria um imenso desperdício de tempo.

O que os cientistas podem fazer é minimizar o máximo que for possível a refutabilidade, ou seja, até certo ponto ele poderá evitar que sua Teoria seja passível de cair em contradição.Isto não significa também que todas as teorias podem ser refutadas,   Quanto maior o seu poder de previsão, e quantidade de evidências que corroboram entre si, levando a uma mesma conclusão geral, mais aceita como verdade ela será. É possível se fazer uma analogia com um jogo de futebol.

No momento que escrevo, o jogo da Holanda e Espanha se encontra 0 à 0, no 2º tempo. Não é possível dizer quem irá ganhar, e embora alguns podem escrever diversas hipóteses sobre quem é o favorito e indicado a ganhar, não se pode ter certeza. Existe uma grande chance de qualquer teoria estar errada. Por outro lado, considerando que faltando 2 minutos para o fim do jogo, um dos times estivesse ganhando de 3 à 0, novamente não é possível segundo olhares rigorosos saber quem irá ganhar, pois o jogo não terminou. Mas é eu posso dizer de que a chance de o time com 3 gols ganhar é imensamente maior do que o outro time. Há talvez algum louco que aposte que o time com menos gols possa ainda ganhar. Essa analogia deve parar por aqui. Portanto, sob critérios rigorosos, apenas matemáticos podem provar coisas. Para as outras Hipóteses e Teorias o que você pode fazer é pesar e medir qual possui maior poder de explicação, previsão, e menor chance de ser refutada, com uma quantidade de evidências maior. São péssimos motivos para se acreditar em algo: Revelação, Autoridade e Tradição. Então como nós sabemos o que sabemos?  Através das evidências. Você acreditaria que o cadáver achado com um buraco na cabeça e um projétil dentro de seu cérebro foi morto enforcado mesmo que nenhuma marca de corda em seu pescoço ou alguma evidencia de enforcamento simplesmente porque sua mãe, ou um maluco que diz ter falado com o espírito do falecido e mesmo porque o general do exercito disse que foi assim que ele morreu?

Eu acredito que a Teoria que possui maior poder explicativo, e com menor chance de refutabilidade para explicar a diversidade de espécies na Terra é a Teoria da Evolução de Charles Darwin. E não acredito por Revelação, Autoridade e nem por Tradição. Qualquer pessoa que estudar as evidências da Teoria da Evolução e comparar com as outras Teorias para a origem da vida com imparcialidade não irá ignorar as evidências.

Evolução sob observação

Rosemary Grant, Peter Grant e colegas trabalham nas ilhas Galápagos durante 33 anos, com os tentilhões de Galápagos, para marca-los e medir o tamanho de seus bicos e asas e mais também tiram amostras de sangue para estabelecer paternidade. É provável que seja o estudo mais completo de populações selvagens. O estudo começou em 1977 e a população de tentilhões de todas espécies era de 1300 em Janeiro. Em dezembro esta população decaiu para menos de 300.

Foram estudados 3 espécies de tentilhões, (A) G. fortis de bico grande, (BG. scandens

Em 1977 Houve uma grave seca e o estoque de alimentos despencou. Dos 1300 tentilhões 1200 eram da espécie G. fortis, e após a seca seus números caíram para 180. Na população de G. fortis, os sobreviventes eram em média 5% maiores que os vitimados. E o bico médio após a seca tinha 11,07 mm de comprimento em comparação aos 10,68 mm de antes. A profundidade do bico em média aumentou de 9,42 para 9,96. Aumentou aqui não significa que cresceu, significa que a soma de todos os bicos dos 1200 tentilhões dividido por 1200(ou seja a média) era 10,68 e que agora a soma dos bicos dos 180 dividido por 180( a nova média) era 11,07. A equipe ja tinha dados que mostravam que as aves que possuíam maiores bicos eram mais eficientes em quebrar sementes grandes, duras e espinhosas (D) como as da erva Tribulus, que eram praticamente as únicas sementes que se podia encontrar no auge da seca. (C) G.fortis de bico pequeno

Uma outra espécie de Tentilhão o G. magnirostris, é profissional em lidar com as sementes de Tribulus. Seu bico é maior do que o do G. fortis. Nestas épocas de secas, os tentilhões G. fortis que tem um bico maior tiveram maior chance de sobreviver.  Além disso, antes da seca, existiam cerca de 600 machos para 600  fêmeas. Como ocorre em muitas espécies de aves, os machos de G. fortis são maiores, e possuem maiores bicos. Dos 180 sobreviventes, apenas 30 eram fêmeas. E quando em janeiro de 1978 as chuvas retornaram, desencadearam condições ideais para reprodução. Mas agora havia 5 machos para cada fêmea. Houve uma competição feroz entre os machos pelas raras fêmeas. E de novo os que venceram foram os machos maiores e com maiores bicos. Mais uma vez impelindo a população a ganhar porte corporal e bico maiores.

Vocês podem se perguntar agora. Se o tamanho grande é tão vantajoso, por que as aves já nao eram maiores antes de tudo acontecer? Porque nos outros anos , sem seca, a seleção favorece indivíduos menores com bicos menores. E os Grant atestaram isso nos anos seguintes. Quando houve uma inundação do El Niño. Depois das cheias mudaram as proporções das sementes. As sementes menores e macias como as da cacabus se tornaram mais abundantes. Agora as aves menores com bicos pequenos eram favorecidos, não por que as aves grandes não pudessem comer as sementes pequenas, mas por que precisavam comer mais  para manter seu corpo graúdo. Por isso a pequena vantagem inverteu a tendência da ilha. [3]

Crédito da ilustração:

[1] ” Ainda afirmo que é apenas uma teoria”, charge de David Sipress na New Yorker, 23 maio 2005.

Referencias:

[2]”O maior espetaculo da terra, as evidencias da evolução, Richard Dawkins.”

[3] Evolution of Character DisplacementinDarwin’sFinches, PeterR.Grant* andB.RosemaryGrant.

Alguns números em biologia

Recentemente tive contato com o livro Amazing Number in Biology, onde em 301 páginas o autor, Rainer Flindt, nos mostra diversas medidas dentro da biologia baseado em diversos artigos encontrados na literatura. Muitos dos dados são pouco explicativos as vezes tratam-se de médias estranhas em outras o autor não coloca o nome da espécie apenas do grupo e em alguns casos nomes populares. Mesmo assim ainda é um livro um tanto interessante, e resolvi postar aqui no blog, alguns dados que achei bacana.  

  1. Conraua goliath é o maior anuro existente, pode alcançar 40cm de comprimento (Ameaçada de extinção)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               
  2. Carcharodon megalodon, um tubarão extinto. No livro ele é citado como o maior peixe extinto, alcaçando 33 metros de comprimento (o mesmo de uma baleia azul!), mas hoje com estimativas mais sensatas acredita-se que poderia alcançar 18 metros de comprimento.      
  3. Aepyornis maximus, conhecida como ave elefante,  é a ave mais pesada que existiu, pesava cerca de 400kg e poderia chegar a de 3m de altura  Continue lendo

A relação entre sua vó e os ráfides

Desculpem-me pela demora em postar, mas é fim de semestre, e acredito que saibam como é uma correria na vida acadêmica. Bom,  não sei como é hoje em dia, mas provavelmente se você teve/tem uma avó já a ouviu falar para não comer, ou lavar a mão depois de tocar na plantinha abaixo, pois era venenosa. De fato é, esta planta, conhecida popularmente como “comigo-ninguém-pode” é tóxica. No Brasil ela representa 60% dos casos de intoxicação por plantas, de crianças abaixo de nove anos, e também de acordo com o SINITOX 80% desses são acidentais(As crianças de hoje provavelmente não confiam muito nas vovós)

Sua toxicidade é conhecida a bastante tempo, na literatura cita-se que ela foi utilizada em solução aquosa pelos nazistas para esterilizar pessoas em campos de concentração(não deu para entender muito bem esse “esterilizar”) e utilizada também como forma de punição para escravos jamaicanos, onde os senhores de escravos esfregavam a planta em suas bocas(dos escravos). A famosa Comigo-ninguém-pode pertencente a família Aracea (Há cerca de 400 espécies no Brasil), “espécies” bem conhecidas da família são o copo de leite e a “flor cadáver”, esta que é uma enorme inflorescência (que terei o prazer de falar sobre ela em outro post), como se pode notar na foto abaixo.


Há diversos gêneros ornamentais pertencentes a essa família botânica, e incluindo o da plantinha da nossa avó, o gênero Dieffenbachia. Há uma discussão na literatura para saber qual o principal fator que lhe confere a toxidade, a presença de ráfides e sua irritação mecânica, ou presença de agentes químicos nas ráfides, neste post meu objetivo é lhe apresentar as ráfides. Ráfides são estruturas presentes nas comigo-ninguém-pode. Tem forma de “agulha” e são formatos por deposição de oxalato de cálcio.

Ou seja, quando a vovó falava para tomarmos cuidado com a planta ela (mesmo que sem saber) queria dizer que naquela planta havia pequenos cristais como este, e que se ingeríssimos poderiamos ser entoxicados (em casos extremos ficarmos asfixiados e morrermos).

Apenas para ilustrar melhor vou postar outra imagem, trata-se também da presença de ráfides em Aloe Vera, mais conhecida como Babosa, mostrando bem a disposição destes cristais, vale lembrar que Babosa não é uma Araceae, pois pertence à família Asphodelaceae, mas como a imagem ilustra bem a disposição dos ráfides decidi postá-la:

Uma outra coisa que minha avó também dizia era sobre a capacidade da planta em proteger contra “mau olhado”…em uma rápida percorrida pela internet aprendi um pouco mais sobre a comigo-ninguém-pode ,  primeiramente, ela absorve energias negativas (Opa, corrobora com a vovó ) e em segundo é utilizada para um banho aromático, descrito desta forma: A inveja pode influenciar seu campo astral e impedir seu êxito, atrasando seu progresso… Por tudo isto é importante proteger-se de inimigos ocultos com este ritual que funciona como um escudo espiritual contra a inveja e o mal olhado (O produto está em promoção) Ou seja funciona como um “escudo espiritual” . Caso queira ver os dois site que citei: Energias negativas e Banho aromático. Bom, acho que meu objetivo no post foi alcançado, que era mostrar os ráfides, agora essa parte ai de energias eu não sei não…Deixo isso para a pseudociência resolver :D.

Outra coisa, veja a imagem abaixo:

Acha que ela está certa? Concorda com algo nela? Acompanhe-nos e entenderá esse e outros erros acerca da evolução.

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Postado por Gustavo Henrique R. Silva

Carta ao richarddawkins.net

Vocês ja ouviram falar, ou ja leram algo sobre Richard Dawkins? Talvez sim ou talvez não.  De qualquer modo, quero apresentar o site, http://richarddawkins.net, que foi uma maneira que Dawkins achou para ampliar sua “área de contato” com as pessoas. Antes de tudo, devo apresentá-lo. Richard Dawkins, é um  zoológo, etólogo, evolucionista e  professor da Universidade de Oxford. Natural de Nairobi no Quênia. Nasceu em 26 de março de 1941. Seu pai nasceu em 26 de março de 1941 na capital do Quênia, Nairobi, onde era um fazendeiro e por causa da Segunda Guerra Mundial, serviu em Malawi ao lado Forças Aliadas, mudando-se então da Inglaterra para o Quênia. Apesar de seu pai ter sido convocado para servir na guerra, ele foi criado no leste da África até 1949, quando finalmente mudou-se com a família para a Inglaterra.  Dawkins trabalhou como estagiário de zoologia no Balliol College, em Oxford, onde foi influenciado pelas idéias do biólogo dinamarquês Nikolaas Tinbergen. Tinbergen, foi um dos primeiros biólogos a explorar a natureza do comportamento animal. Tal empenho fez surgir um novo ramo da ciência – a Etologia (Tinbergen também ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1973 pelo seu estudo pioneiro do comportamento dos animais).

Dawkins formou-se em 1962 e partiu para o doutorado sob a direção de Tinbergen, quando então desenvolveu um bom relacionamento com seu tutor.

Além de sua carreira acadêmica, Richard Dawkins também é um intelectual polêmico, com colunas publicadas em jornais britânicos como o The Guardian. Suas opiniões estão geralmente voltadas ao papel da religião na sociedade, o qual Dawkins gostaria de ver diminuído. Ele também é um divulgador da ciência e do pensamento científico, defendendo sempre que a escola (e a sociedade em geral) deveria dar mais atenção a esses aspectos.

Entre seus livros mais conceituados, vale a pena destacar:

Baobás, “As árvores de cabeça para baixo”

No clima da copa do mundo de futebol na  África do sul, a Pepsi lançou no Japão um novo sabor de refrigerante, o de Baobá. Grandes jogadores na propaganda, bela embalagem, e a árvore errada. A que está na embalagem é uma Adansonia grandidieri, também um Baobá, mas endêmico de Madagascar. Mas tudo bem, vamos ao que interessa, vamos falar um pouco mais sobre esses incríveis organismos.

Baobás são árvores do gênero Adansonia, há 8 espécies no total, sendo 6 econtradas em Madagáscar, 1 na África e 1 na Austrália. Veja os exemplos abaixo(para ver a descrição basta colocar o cursor do mouse sobre a foto):

 

 

São árvores decíduas(suas folhas caêm em certa época do ano) apresentam-se folheadas apenas 4 meses ao ano, chegam a 30m de altura(em condições favoráveis crescem 15m em 12 anos) o diâmetro de seus troncos varia de 2-10 metros. Um exemplar de Baobá é tão largo que 40 pessoas conseguem se abrigar dentro de seu tronco (todos alunos da minha sala juntos!). E curiosamente algumas árvores são usadas como casas e depósitos.  Alguns povos nômades em áreas secas escavavam o tronco dos Baobás e os utilizavam como reservatório de água.

 

 Fibras são raspadas de seus tronco e utilizada para artesanatos.

 

 

 

                        Suas raizes são extensas, com alta capacidade de absorção de água, adaptação essa que permite a sobrevivência desses organismos em climas áridos. Sua capacidade de controle e armazenamento de água é incrível, quando folheados há um déficit diário de  400 litros de água, e no entanto,  em todo o período de seca  perdem apenas 1500 litros e dependendo da região são capazes de armazenar em seu caule 120.000 litros de água! Possuem diversos nomes populares e um que soa bem estranho,  “árvore de cabeça para baixo”, pois no pôr do sol, sua silhueta aparenta estar com as raizes para o alto.

 

 

 

Suas brancas flores  abrem-se à noite  e emitem um cheiro que atrai morcegos, seus polinizadores(há também indícios de polinização pelo vento e por lêmures). Levam de 8 a 23 anos para produzir frutos (denominados Mukua) que são grandes, podem ser dispersos por elefantes e em alguns casos pela água  Suas sementes são dispersas por macacos, esquilos e ratos. 

 

 

 

São também cultivados como Bonsai (algo  interessante a ser explicado sobre o ponto de vista biológico em um post)

 

 

Datações com carbono foram feitas, e estima-se que alguns Baobás  tenham mais de 3000 anos(Abordaremos ainda árvores antigas e diferentes meios de datação).

E, é claro, ao tratar de Baobás não podemos nos esquecer do Livro O pequeno príncipe Ora, havia sementes terríveis no planeta do príncipezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.”  Dizem que o Baobá da Praça da República de Pernambuco que inspirou  Antoine de Saint-Exupéry neste trecho do livro.

 

  

 Enfim, acredito que deu para entender um pouco mais sobre essas magníficas árvores, e provavelmente  algumas dúvidas devem ter surgido, como armazenamento de água e dispersão…assuntos interessantíssimos que serão abordados mais à frente… Acompanhe-nos

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Gustavo Henrique R. Silva