Archive for the ‘Botânica’ Category

A relação entre sua vó e os ráfides

Desculpem-me pela demora em postar, mas é fim de semestre, e acredito que saibam como é uma correria na vida acadêmica. Bom,  não sei como é hoje em dia, mas provavelmente se você teve/tem uma avó já a ouviu falar para não comer, ou lavar a mão depois de tocar na plantinha abaixo, pois era venenosa. De fato é, esta planta, conhecida popularmente como “comigo-ninguém-pode” é tóxica. No Brasil ela representa 60% dos casos de intoxicação por plantas, de crianças abaixo de nove anos, e também de acordo com o SINITOX 80% desses são acidentais(As crianças de hoje provavelmente não confiam muito nas vovós)

Sua toxicidade é conhecida a bastante tempo, na literatura cita-se que ela foi utilizada em solução aquosa pelos nazistas para esterilizar pessoas em campos de concentração(não deu para entender muito bem esse “esterilizar”) e utilizada também como forma de punição para escravos jamaicanos, onde os senhores de escravos esfregavam a planta em suas bocas(dos escravos). A famosa Comigo-ninguém-pode pertencente a família Aracea (Há cerca de 400 espécies no Brasil), “espécies” bem conhecidas da família são o copo de leite e a “flor cadáver”, esta que é uma enorme inflorescência (que terei o prazer de falar sobre ela em outro post), como se pode notar na foto abaixo.


Há diversos gêneros ornamentais pertencentes a essa família botânica, e incluindo o da plantinha da nossa avó, o gênero Dieffenbachia. Há uma discussão na literatura para saber qual o principal fator que lhe confere a toxidade, a presença de ráfides e sua irritação mecânica, ou presença de agentes químicos nas ráfides, neste post meu objetivo é lhe apresentar as ráfides. Ráfides são estruturas presentes nas comigo-ninguém-pode. Tem forma de “agulha” e são formatos por deposição de oxalato de cálcio.

Ou seja, quando a vovó falava para tomarmos cuidado com a planta ela (mesmo que sem saber) queria dizer que naquela planta havia pequenos cristais como este, e que se ingeríssimos poderiamos ser entoxicados (em casos extremos ficarmos asfixiados e morrermos).

Apenas para ilustrar melhor vou postar outra imagem, trata-se também da presença de ráfides em Aloe Vera, mais conhecida como Babosa, mostrando bem a disposição destes cristais, vale lembrar que Babosa não é uma Araceae, pois pertence à família Asphodelaceae, mas como a imagem ilustra bem a disposição dos ráfides decidi postá-la:

Uma outra coisa que minha avó também dizia era sobre a capacidade da planta em proteger contra “mau olhado”…em uma rápida percorrida pela internet aprendi um pouco mais sobre a comigo-ninguém-pode ,  primeiramente, ela absorve energias negativas (Opa, corrobora com a vovó ) e em segundo é utilizada para um banho aromático, descrito desta forma: A inveja pode influenciar seu campo astral e impedir seu êxito, atrasando seu progresso… Por tudo isto é importante proteger-se de inimigos ocultos com este ritual que funciona como um escudo espiritual contra a inveja e o mal olhado (O produto está em promoção) Ou seja funciona como um “escudo espiritual” . Caso queira ver os dois site que citei: Energias negativas e Banho aromático. Bom, acho que meu objetivo no post foi alcançado, que era mostrar os ráfides, agora essa parte ai de energias eu não sei não…Deixo isso para a pseudociência resolver :D.

Outra coisa, veja a imagem abaixo:

Acha que ela está certa? Concorda com algo nela? Acompanhe-nos e entenderá esse e outros erros acerca da evolução.

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Postado por Gustavo Henrique R. Silva

Baobás, “As árvores de cabeça para baixo”

No clima da copa do mundo de futebol na  África do sul, a Pepsi lançou no Japão um novo sabor de refrigerante, o de Baobá. Grandes jogadores na propaganda, bela embalagem, e a árvore errada. A que está na embalagem é uma Adansonia grandidieri, também um Baobá, mas endêmico de Madagascar. Mas tudo bem, vamos ao que interessa, vamos falar um pouco mais sobre esses incríveis organismos.

Baobás são árvores do gênero Adansonia, há 8 espécies no total, sendo 6 econtradas em Madagáscar, 1 na África e 1 na Austrália. Veja os exemplos abaixo(para ver a descrição basta colocar o cursor do mouse sobre a foto):

 

 

São árvores decíduas(suas folhas caêm em certa época do ano) apresentam-se folheadas apenas 4 meses ao ano, chegam a 30m de altura(em condições favoráveis crescem 15m em 12 anos) o diâmetro de seus troncos varia de 2-10 metros. Um exemplar de Baobá é tão largo que 40 pessoas conseguem se abrigar dentro de seu tronco (todos alunos da minha sala juntos!). E curiosamente algumas árvores são usadas como casas e depósitos.  Alguns povos nômades em áreas secas escavavam o tronco dos Baobás e os utilizavam como reservatório de água.

 

 Fibras são raspadas de seus tronco e utilizada para artesanatos.

 

 

 

                        Suas raizes são extensas, com alta capacidade de absorção de água, adaptação essa que permite a sobrevivência desses organismos em climas áridos. Sua capacidade de controle e armazenamento de água é incrível, quando folheados há um déficit diário de  400 litros de água, e no entanto,  em todo o período de seca  perdem apenas 1500 litros e dependendo da região são capazes de armazenar em seu caule 120.000 litros de água! Possuem diversos nomes populares e um que soa bem estranho,  “árvore de cabeça para baixo”, pois no pôr do sol, sua silhueta aparenta estar com as raizes para o alto.

 

 

 

Suas brancas flores  abrem-se à noite  e emitem um cheiro que atrai morcegos, seus polinizadores(há também indícios de polinização pelo vento e por lêmures). Levam de 8 a 23 anos para produzir frutos (denominados Mukua) que são grandes, podem ser dispersos por elefantes e em alguns casos pela água  Suas sementes são dispersas por macacos, esquilos e ratos. 

 

 

 

São também cultivados como Bonsai (algo  interessante a ser explicado sobre o ponto de vista biológico em um post)

 

 

Datações com carbono foram feitas, e estima-se que alguns Baobás  tenham mais de 3000 anos(Abordaremos ainda árvores antigas e diferentes meios de datação).

E, é claro, ao tratar de Baobás não podemos nos esquecer do Livro O pequeno príncipe Ora, havia sementes terríveis no planeta do príncipezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.”  Dizem que o Baobá da Praça da República de Pernambuco que inspirou  Antoine de Saint-Exupéry neste trecho do livro.

 

  

 Enfim, acredito que deu para entender um pouco mais sobre essas magníficas árvores, e provavelmente  algumas dúvidas devem ter surgido, como armazenamento de água e dispersão…assuntos interessantíssimos que serão abordados mais à frente… Acompanhe-nos

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Gustavo Henrique R. Silva