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Baobás, “As árvores de cabeça para baixo”

No clima da copa do mundo de futebol na  África do sul, a Pepsi lançou no Japão um novo sabor de refrigerante, o de Baobá. Grandes jogadores na propaganda, bela embalagem, e a árvore errada. A que está na embalagem é uma Adansonia grandidieri, também um Baobá, mas endêmico de Madagascar. Mas tudo bem, vamos ao que interessa, vamos falar um pouco mais sobre esses incríveis organismos.

Baobás são árvores do gênero Adansonia, há 8 espécies no total, sendo 6 econtradas em Madagáscar, 1 na África e 1 na Austrália. Veja os exemplos abaixo(para ver a descrição basta colocar o cursor do mouse sobre a foto):

 

 

São árvores decíduas(suas folhas caêm em certa época do ano) apresentam-se folheadas apenas 4 meses ao ano, chegam a 30m de altura(em condições favoráveis crescem 15m em 12 anos) o diâmetro de seus troncos varia de 2-10 metros. Um exemplar de Baobá é tão largo que 40 pessoas conseguem se abrigar dentro de seu tronco (todos alunos da minha sala juntos!). E curiosamente algumas árvores são usadas como casas e depósitos.  Alguns povos nômades em áreas secas escavavam o tronco dos Baobás e os utilizavam como reservatório de água.

 

 Fibras são raspadas de seus tronco e utilizada para artesanatos.

 

 

 

                        Suas raizes são extensas, com alta capacidade de absorção de água, adaptação essa que permite a sobrevivência desses organismos em climas áridos. Sua capacidade de controle e armazenamento de água é incrível, quando folheados há um déficit diário de  400 litros de água, e no entanto,  em todo o período de seca  perdem apenas 1500 litros e dependendo da região são capazes de armazenar em seu caule 120.000 litros de água! Possuem diversos nomes populares e um que soa bem estranho,  “árvore de cabeça para baixo”, pois no pôr do sol, sua silhueta aparenta estar com as raizes para o alto.

 

 

 

Suas brancas flores  abrem-se à noite  e emitem um cheiro que atrai morcegos, seus polinizadores(há também indícios de polinização pelo vento e por lêmures). Levam de 8 a 23 anos para produzir frutos (denominados Mukua) que são grandes, podem ser dispersos por elefantes e em alguns casos pela água  Suas sementes são dispersas por macacos, esquilos e ratos. 

 

 

 

São também cultivados como Bonsai (algo  interessante a ser explicado sobre o ponto de vista biológico em um post)

 

 

Datações com carbono foram feitas, e estima-se que alguns Baobás  tenham mais de 3000 anos(Abordaremos ainda árvores antigas e diferentes meios de datação).

E, é claro, ao tratar de Baobás não podemos nos esquecer do Livro O pequeno príncipe Ora, havia sementes terríveis no planeta do príncipezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.”  Dizem que o Baobá da Praça da República de Pernambuco que inspirou  Antoine de Saint-Exupéry neste trecho do livro.

 

  

 Enfim, acredito que deu para entender um pouco mais sobre essas magníficas árvores, e provavelmente  algumas dúvidas devem ter surgido, como armazenamento de água e dispersão…assuntos interessantíssimos que serão abordados mais à frente… Acompanhe-nos

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Gustavo Henrique R. Silva

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